NOTÍCIA PUBLICADA PELO JORNAL DIÁRIO DO GRANDE ABC

A CVC venceu a crise financeira que ameaçava a sua existência. Capitalizada e com as principais dívidas renegociadas, a maior operadora de viagens de turismo do Brasil, com sede em Santo André, colocou em prática plano para expandir as lojas físicas e recuperar, até o fim deste ano, os 1.400 pontos de venda que, em seu auge, chegou a possuir – atualmente, são 1.056.

Para sanear rombo nas contas, que, segundo estimativas do mercado, chegou a bater na casa de R$ 1 bilhão, a CVC promoveu um retorno ao passado. O primeiro passo foi dado com a volta da família Paulus, uma das duas fundadoras, à companhia. O outro foi retomar as vendas de pacotes em pontos físicos, estancando a estratégia de priorizar o comércio digital.

A recuperação financeira da CVC Corp, holding que controla nove empresas, todas elas do setor de turismo, começou em junho do ano passado. Foi quando Guilherme Paulus, preocupado com os rumos do negócio que iniciara em 1972, em sociedade com Carlos Vicente Cerchiari (cujas iniciais batizaram a agência de viagens), se comprometeu a aportar R$ 100 milhões para se tornar o principal acionista da companhia, cujos papéis são negociados na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Na sequência, a CVC promoveu follow-on em busca de mais dinheiro na Bolsa. Com o mercado de turismo reaquecido com a volta das viagens após a pandemia da Covid-19, a oferta de papéis da operadora foi um sucesso. “Esperávamos captar R$ 200 milhões, mas, no fim, captamos R$ 800 milhões”, diz o CEO Fabio Godinho em entrevista ao Diário, contabilizando no montante o aporte de Guilherme Paulus.

Com dinheiro em caixa, a empresa conseguiu renegociar as dívidas de curto prazo, prorrogando os vencimentos para 2025 e 2026, e tratou de mudar a estratégia das vendas de pacotes de turismo. O processo de digitalização dos canais comerciais que estava em curso, e era responsável por fechar 50 lojas físicas por trimestre, foi revertido.

“Já abrimos 60 lojas desde que o Godinho chegou”, contabiliza o diretor-geral da CVC Viagens, Emerson Belan. A expansão da rede está baseada em franquias – só cinco unidades são administradas pela própria companhia, duas delas em Santo André.

Os executivos revelam que a empresa está em busca de parceiros para levar a marca para o interior do Brasil, o que inclui pequenas cidades com até 15 mil habitantes. “Parte da nossa estratégia é sair das Capitais, até porque a CVC já tem tanta loja em Capitais que já não tem mais espaço, só se pôr uma em cima da outra”, brinca Godinho.

A primeira etapa do cronograma de expansão das unidades físicas de vendas de pacotes turísticos termina em dezembro, quando a CVC pretende ter retomado os 1.400 pontos que tinha antes que os antigos controladores iniciassem a estratégia digital.

A CVC não vai abandonar a venda de pacotes pelas plataformas digitais. A expansão dos negócios da companhia está baseada no que o mercado chama de phygital, estratégia de comércio que une experiências físicas e digitais – leia mais abaixo. “Vamos chegar, primeiro, às 1.400 lojas físicas. Depois, a gente tem pelo menos mais 500 para abrir”, calcula Godinho.

A capitalização da companhia, as mudanças administrativas e de relacionamento com os clientes surtiram efeito. Depois de 14 trimestres consecutivos com Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) negativo, a CVC voltou ao azul. “Nós chegamos e, já no primeiro trimestre, o Ebitda foi positivo em R$ 96 milhões”, diz o CEO, com orgulho indisfarçável.

O balanço do quarto e último trimestre de 2023 é aguardado com ansiedade, mas Godinho sabe que, a despeito dos números, está no caminho certo. “Sabíamos que conseguiríamos virar esse jogo.”

Operadora de turismo aposta no ‘phygital’

A reestruturação das estratégias de vendas de pacotes de turismo pela CVC está baseada no modelo que o mercado chama de phygital, que é a integração dos canais físicos e digitais para atender os clientes. Nesta modalidade, os consumidores podem finalizar a compra pelo celular, mas, caso precisem, terão o suporte da loja mais próxima de seu endereço.

“O cliente combina a compra 100% por meio digital, mas sabe que está comprando do Pablo, vendedor da loja CVC no bairro Jardim, perto da casa dele”, ilustra o CEO da CVC Corp, Fabio Godinho. “Temos um percentual de vendas em que o cliente não vai na loja. Ele faz toda a pesquisa, auxiliada pelo nosso time de especialistas, via on-line, mas, se tem alguma dúvida, pode ir na loja mais próxima”, completa o diretor-geral da CVC Viagens, Emerson Belan.

É por entender que ninguém compreende mais o cliente do que quem vive na mesma comunidade que a CVC aposta em empreendedores locais para expandir a rede. “O nosso franqueado tem uma ou duas lojas, não é um investidor, que tem 50 lojas e bota um gerente para tocar. O franqueado trabalha lá, é da comunidade”, detalha Godinho.

“O conhecimento local é muito importante”, destaca Belan, que diz que a prioridade do grupo é abrir unidades em cidades do interior do Brasil, “que é onde cresce mais a população e o PIB (Produto Interno Bruto)”. Apesar disso, a CVC vê que existe espaço para mais 10 lojas da marca no Grande ABC.

O mercado de turismo, segundo os executivos da CVC, está aquecido desde a segunda metade de 2021, quando as restrições de deslocamento físico impostas pela pandemia da Covid-19 foram flexibilizadas e as viagens voltaram a ser permitidas.

Para 2024, o comércio de viagens domésticas, dentro do território brasileiro, deve crescer de 7% a 10%. Já a procura por destinos internacionais tende a aumentar o dobro, em 20%, até o mês de dezembro, ainda de acordo com projeções da dupla Godinho e Belan.

De olho neste crescimento, a CVC prospecta países com infraestrutura e segurança para receber turistas brasileiros. “A gente tem o mundo para explorar”, diz Belan, que acaba de fechar parceria com a operadora espanhola Ávoris. “Temos roteiros para navegar pelos rios europeus”, exemplifica o diretor-geral.

Sede permanecerá em Santo André, onde companhia surgiu em 1972

Conglomerado que reúne nove empresas do ramo de turismo, espalhadas pelo Brasil e pela Argentina, e cujo faturamento no primeiro semestre de 2023 atingiu R$ 7,86 bilhões, a CVC Corp garantiu que vai manter sua sede em Santo André, cidade onde a companhia surgiu em 1972 como agência de viagens fundada pelos sócios Guilherme Paulus e Carlos Vicente Cerchiari, cujas iniciais do nome batizaram o negócio.

“Se eu tirar a CVC de Santo André, o Guilherme me mata”, brinca o CEO Fabio Godinho, referindo-se ao maior acionista da companhia e afastando boatos que circulam nos bastidores já há algum tempo, dando conta de que o grupo poderia transferir a sua sede para a Capital paulista.

A sede corporativa da companhia ocupa três andares do CVC Corp Tower, edifício comercial que fica no número 227 da Rua Catequese, bairro Jardim, em Santo André. As nove empresas do grupo empregam atualmente 3.000 empregados, sem contar os que atuam nas 1.051 lojas franqueadas da marca espalhadas pelo Brasil – apenas cinco unidades pertencem à própria CVC.

No Brasil, a CVC Corp atua com as marcas CVC (líder em viagens de férias e lazer), Experimento (cursos no Exterior e intercâmbio cultural), RexturAdvance (via agentes independentes), Trend (viagens corporativas e de lazer) e Visual (ecoturismo, resorts e hospedagens de charme e requinte).

Já na Argentina, a CVC tem duas empresas do Grupo Bibam (marca de luxo Biblos e a on-line Avantrip), a Ola (via agências independentes) e a Almundo (líder em viagens de férias).

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