Acionista de referência com 20% de ações da CVC Corp e CEO na Mar Capital, Gustavo Paulus, em entrevista exclusiva à PANROTAS, comentou o caso da saída do conselheiro Fernando Cinelli, da Apex Partners.
Paulus ressaltou que a Apex Partners é tão somente uma administradora de fundos que gerenciam os recursos de diversos investidores, que compraram 15% da CVC Corp em abril passado, posição reduzida a 7,97% segundo comunicado ao mercado da última quinta-feira (13), deixando de figurar entre os maiores investidores da CVC Corp.
“Essa redução é o melhor retrato do que estamos dizendo desde o começo. A exposição dos fundos da Apex à CVC Corp diminuiu, e a companhia seguiu operando exatamente da mesma forma, sem qualquer efeito sobre gestão, resultado ou plano estratégico. Não há e nunca houve relação operacional ou financeira entre a CVC Corp e a Apex”Gustavo Paulus
A Apex não tem participação na CVC Corp, e sim os fundos administrados por ela. Os próprios investidores, se entenderem que há problema com a gestão, podem pedir, em assembleia, um novo administrador para os recursos, substituindo a Apex. Se a Apex Partners for liquidada ou seguir com um pedido de proteção judicial, um outro gestor pode passar a administrar os investimentos, como os na CVC Corp.
Paulus disse ainda que a saída de Cinelli do Conselho de Administração da CVC Corp e da Apex Partners, após seu afastamento da gestora, não tem qualquer impacto na gestão ou no desempenho do grupo de Viagens e Turismo. Um novo conselheiro deve ser indicado em breve.
Filho do fundador da CVC, Guilherme Paulus, Gustavo também revelou que existe um acordo de acionistas celebrado diretamente entre os signatários, sem participação da CVC Corp, que orienta o voto dos fundos. Segundo Paulus, o efeito é de previsibilidade e estabilidade para a execução do plano estratégico de longo prazo. Esse acordo permanece em vigor e não confere controle sobre a companhia, que segue sem acionista controlador.
Resultado da CVC Corp em 2026
Por falar em plano estratégico, Paulus comentou o balanço divulgado na semana passada, no qual a CVC Corp registrou Reservas Confirmadas de R$ 4,1 bilhões no segundo trimestre do ano. Segundo ele, há vários pontos positivos:
- as despesas gerais e administrativas no Brasil caíram 10,1%, fruto também da reestruturação conduzida pelo CEO Fabio Mader;
- o EBITDA ajustado do Brasil cresceu 4,7%, com margem passando de 28% para 30,6%;
- a dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 215 milhões, R$ 26,8 milhões abaixo do primeiro trimestre, com alavancagem de 0,5x EBITDA dos últimos 12 meses;
- e a reformulação da parte digital avança sob a liderança de Bob Rossato.
“A companhia entregou o que prometeu no operacional. Recalibramos a precificação para dar mais competitividade às lojas, reduzimos despesa e voltamos a gerar caixa. É isso que sustenta a CVC em um ano difícil para o setor, com custos mais altos e um calendário atípico. O B2B mantém desempenho forte desde o início do ano e seguimos confiantes na trajetória do B2C”, explicou Paulus.Gustavo Paulus
A CVC do Futuro, segundo Paulus
Uma CVC mais eficiente e mais conectada é a CVC do futuro, segundo ele, e isso passa, além dos ajustes já feitos, pela tecnologia em conexão com as lojas. A IA e outras tecnologias vão integrar processos e sistemas e dar mais velocidade à empresa, que já está com um operacional funcionando muito bem após as mudanças e com a estrutura financeira ajustada.
Segundo Gustavo Paulus, a CVC Corp entregou o que prometeu no plano operacional, está acelerando as mudanças em Tecnologia para fortalecer a venda on-line integrada às lojas, mas os cenários externos, incluindo os altos juros brasileiros, ainda jogam contra o Turismo.
“O balanço mostra uma companhia com disciplina financeira, alavancagem de 0,5x e geração de caixa operacional positiva no trimestre. É dessa posição que a gente executa”, diz ele, que finaliza falando de confiança no projeto da CVC Corp com a liderança de Mader e seu time.
“O tema da Apex, que apareceu recentemente, envolve uma gestora de fundos cujos cotistas investem na CVC Corp. O acordo de acionistas foi celebrado entre os signatários, sem participação da CVC, e nada disso afeta a gestão ou os resultados. Seguimos executando o plano estratégico da CVC Corp com disciplina financeira, precificação recalibrada para dar competitividade às lojas e uma agenda digital avançando. O B2B mantém desempenho forte, e o mercado já projeta um ciclo de queda de juros, o que tende a aliviar o consumo de viagens dos brasileiros. Tenho confiança no time do Fabio Mader e no projeto para a CVC Corp de hoje e do futuro”
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